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CAI ÍNDICE DE CONFIANÇA EMPRESASIAL

     O Instituto Brasileiro de Economia – IBRE da Fundação Getúlio Vargas vem desde maio de 2017, realizando divulgação mensal do Índice de Confiança Empresarial – ICE, o qual resulta da média do Indicador de Situação Atual Empresarial (ISA-E) e o Indicador de Situação Esperada Empresarial (ISE-E). O Índice de Confiança Empresarial cobre os setores Industria, Serviço, Comércio e Construção. 

As sondagens de tendência são levantamentos estatísticos que têm por finalidade gerar informações relevantes para o monitoramento da situação corrente e antecipação de eventos futuros da economia. (FGV/IBRE).


Segundo o superintendente de estatísticas da FGV/IBRE, Aloísio Campelo Jr. o setor de serviço foi o mais afetado:

 

A queda da confiança empresarial em fevereiro reflete a desaceleração do nível de atividade no primeiro trimestre de 2021 e o avanço de uma nova onda de covid-19. A preocupação é maior no Setor de Serviços e, dentro dele, nos segmentos mais dependentes de consumo presencial, como alojamento, alimentação fora do domicílio e serviços pessoais em geral.

É inegável que o benefício social ou auxílio emergencial possibilitou às famílias brasileiras o mínimo de condições de sobrevida, a propósito, o auxílio de R$ 600,00 (seiscentos reais) embora considerado baixo, foi investido ainda em bens. Veja a capacidade do nosso povo! Agora, com apenas R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais) propostos pelo governo, é obvio que reduz a condição de sobrevida, impossibilitando a aquisição de bens, o que afetará ainda mais a economia. Mas o assunto aqui é confiança empresarial que o IBRE diz claramente que o Índice de Situação Atual Empresarial (ISA-E) cedeu pela terceira vez seguida e que o Índice de Expectativa Empresarial (IE-E) caiu. 

Se a confiança empresarial caiu por conta do cenário de crises sucessivas na política e na economia, pois a pandemia surge como pano de fundo nessa tragédia já anunciada, observe-se o drama vertiginoso do capitalismo desde 2008 que vinha sendo sustentado pelo capital financeiro internacional, principalmente para investimentos ora na manutenção, ora na chegada da extrema direita no topo do poder político.  

Se para esse setor da sociedade a expectativa caiu, imaginemos a expectativa da população desprovida de qualquer fonte de renda permanente, ou mesmo para aquele/as trabalhadores/as temporário/as, ou ainda para os mais de treze milhões de desempregados notificados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua – PNAD Contínua.

Como se imagina a resolução desse agravamento da pandemia para então haver melhora tanto na expectativa empresarial quanto humana? 

Parece distante resolver questões não-simples, mas questões urgentes e emergentes como vacinação para todos e todas em tempo célere, para salvar vidas ou evitar perdê-las, pois até o momento (03/03) o governo declara ter vacinado apenas 60% do público alvo, isto é, não conseguiu imunizar nem aqueles dos grupos prioritários. O Plano Nacional de Vacinação passou por redefinição dos grupos prioritários recentemente, os/as professores/as subiram para a nona posição. Penso que o caminho não seja a posição do grupo, mas a celeridade para produção, aquisição do imunizante com maior celeridade para imunizar toda a população. 

De outro lado, minimizar a influência do mercado financeiro, rompendo laços de submissão, de dependência, mas nisto a extrema direita não tem interesse. Como também não tem em salvar vidas, a história nos conta! 

–––––––  

Liduina Tavares – professora, militante social e política, presidenta da Academia Bacabalense de Letras. 

 

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