Leia
abaixo o artigo da vereadora Elaine Matozinhos, presidente do PTB de
Belo Horizonte e presidente do PTB Mulher de Minas Gerais.
Justiça!... Onde está você? Eu, como possivelmente milhares de pessoas, acompanhei a sessão de julgamento pelo Superior Tribunal Federal referente à Ação penal nº 470, conhecida como “Mensalão”, na tarde do dia 28 de novembro de 2012, data esta que deverá ficar na memória de todos nós, brasileiras e brasileiros, e constar da história do País. Nesta tarde, a partir das 14 horas, o STF procedeu a dosimetria das penas ao Presidente Nacional do Partido Trabalhista Brasileiro – PTB – e ex-Deputado Federal Roberto Jefferson, já condenado por aquela Corte pelos crimes de corrupção passiva (art. 317 do Código Penal Brasileiro) e lavagem de dinheiro (art.1 da Lei 9613 de 1998). Relembrando a história, no dia 6 de junho de 2005, através do jornal a Folha de São Paulo, Roberto Jefferson trouxe a conhecimento público as entranhas do Congresso Nacional, expondo alguns de seus membros e algumas agremiações partidárias, a relação corrupta que existia com o Governo Federal, bem como os financiamentos de campanhas políticas através do conhecido “Caixa 2”. Afirma Roberto Jefferson em suas declarações prestadas à Polícia Federal e Justiça Federal, lidas, em parte, pelo Ministro Revisor do processo, Ricardo Lewandowski, que as denúncias de corrupção já tinham sido feitas anteriormente pelo Deputado Federal Miro Teixeira (PDT-RJ), mas que não foram objeto de nenhuma apuração, o que quer dizer, ficaram “abafadas”. Na realidade, Roberto Jefferson não compactuou com a corrupção que graçava entre Congresso Nacional e Governo Federal. Os Trabalhistas e, portanto, o PTB em seu conjunto, jamais fez parte deste sistema. O que o Presidente do PTB também trouxe às claras, foi a forma de financiamento de campanhas através do chamado “Caixa 2”, e as negociações entre as Agremiações Partidárias. Assim, com sua coragem, afirmou ter recebido quatro milhões de reais para custear as campanhas dos candidatos do PTB a Prefeitos, Vice-Prefeitos e Vereadores nas mais diversas cidades do País, no pleito de 2004, fruto de negociação entre o Partido dos Trabalhadores pelo apoio do PTB ao PT em outras regiões do País. Usando o ditado popular que “uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa”, o que pretendo demonstrar é que o PTB não compartilhou do “esquema” de venda de votos de seus integrantes no Congresso Nacional, em apoio a Projetos ou outras Proposições feitas pelo Governo Federal, cujo Chefe do Executivo era o Sr. Luís Inácio Lula da Silva. Viu-se, sim, o seu Presidente afirmar ter recebido recursos para campanhas eleitorais sem a devida informação à Justiça Eleitoral. Isto, salvo melhor Juízo, não encontra tipificação no ordenamento penal brasileiro. O acordo financeiro para custear campanhas eleitorais – já que não temos financiamento público de campanha – se resvalou, nesse conturbado Processo, para os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Na hipótese de admiti-los, eu me pergunto: como imputar a Roberto Jefferson o crime de corrupção passiva, se o ato de negociação e a aceitação do valor tido como indevido ocorreu quando não era ele o Presidente do PTB? O recebimento do valor, por sua pessoa, caracterizaria, em meu entendimento, o exaurimento do possível crime e não a prática dele. Quanto à lavagem de dinheiro, também não teria sido feita pelos “gestores” do sistema? Não teria sido por isto que os Ministros Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio de Melo absolveram Roberto Jefferson? O que vi foi uma sessão do STF marcada por fatos que deixaram atônitos os Operadores do Direito: divergências sobre questões básicas como a conduta típica do delito; momento de consumação ou exaurimento; se o crime de corrupção passiva é formal ou material; se aplica a lei mais antiga ou a nova, onde a pena foi majorada; se cabível ou não majorante; se cabível ou não atenuante; e, até Ministro que por falta de uma calculadora, se embaraçou na hora de sentenciar e acabou “seguindo o voto do relator”. Foi um verdadeiro imbróglio doutrinário onde se decidia sobre a culpabilidade ou inocência de Roberto Jefferson, que acabou condenado a uma pena de 7 anos e 14 dias. De grande relevância para o mundo jurídico foi a fala do Ministro Marco Aurélio de Melo quando conscientizou seus pares sobre o momento consumativo dos crimes de corrupção e a aplicabilidade da Lei Penal no Tempo. Questionou o Ministro: O momento consumativo do crime de corrupção ativa pode ser diferente do crime de corrupção passiva? Nós, advogadas e advogados, aguardaremos a jurisprudência a ser firmada pelo STF. Nós, trabalhistas, que temos a honra de integrar o PTB, sabemos, como a maioria do povo brasileiro, que Roberto Jefferson prestou um grande serviço ao País, colocando em risco e perdendo aos 23 anos consecutivos, o seu mandato de Deputado Federal. Colocou em holocausto o seu direito de ir e vir, a sua liberdade. Mas este é o nosso PTB. Partido de Getúlio Vargas que deu a vida pelo Brasil e que em sua Carta Testamento disse: ..."Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes”. Deste julgamento, recursos serão impetrados pelo grande jurista e advogado de defesa de Roberto Jefferson, Dr. Luiz Francisco Barbosa. E o sábio Barbosinha, - como carinhosamente chamamos este nosso amigo e companheiro de Partido -, irá, com toda sua competência, mostrar aos Nobres Ministros, que a decisão deve ser revista. Os trabalhistas brasileiros estão em vigília cívica aguardando nova decisão do STF a Roberto Jefferson, nosso Presidente, nosso líder e, sobretudo o grande político que ao longo de sua vida parlamentar lutou incansável e corajosamente em defesa dos trabalhadores brasileiros. Por isto, ainda pergunto: Justiça, onde está você? Será que esta condenação não inibirá pessoas a denunciar, com o receio da condenação? Afinal, depois do Mensalão, tivemos tantos outros casos que envergonham o povo brasileiro: Carlinhos Cachoeira, Rosemary, etc, etc. Ao final, não tenho dúvida em afirmar que o PTB tem a história que todo Partido gostaria de ter. É o Partido de Getúlio Vargas, Ivete Vargas, Padre José de Souza Nobre, Clodesmith Riani, Romeu Tuma, Benito Gama, Arnaldo Faria de Sá, Campos Machado, Cristiane Brasil, Marli Iglésias,(fundadora do PTB Mulher) e tantos(as) e tantos(as) outros(as) valorosos(as) companheiros(as). Mas é sobretudo, o Partido de Roberto Jefferson, cuja atuação política tem marca indelével na história do Brasil. E nós, trabalhistas, temos e devemos de nos orgulhar desta história e de nosso Presidente. Belo Horizonte, 28 de novembro de 2012 Elaine Matozinhos Presidente do PTB/BH Presidente do PTB Mulher/MG |
No coração de um Brasil polarizado, num Estado de contradições políticas, no município em (re)construção localiza-se o povoado que vive o maior drama de sua história, desde a alforria de seu povo. No povoado São Sebastião dos Pretos, território quilombola certificado, onde a fé se entrelaça com a poeira da estrada, um pequeno aglomerado humano, conhecido mais pelas suas promessas sussurradas ao vento do que por seus marcos geográficos, viu sua serenidade estilhaçada pela ausência. Três pequenas vidas, três infantes da mesma família evaporaram no ar poluído pelas queimadas e pela devastação dos palmeirais, na tarde do dia 04 de janeiro de 2026. Os pais, figuras outrora pilares de devoção, permaneciam agora em um estado de atordoamento quase sagrado, como se o trágico fosse uma miragem teimosa. A inércia deles, contudo, não se espalhou pela comunidade e a ausência notada das três crianças mobilizou os moradores que procuraram por toda a noite e ainda que não as encontrassem se...
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