Pular para o conteúdo principal

QUE PAÍS É ESSE?

Esta pergunta, feita pelo músico e compositor Renato Russo, ainda no final da década de 70, não encontra resposta que qualifique o Brasil a sair de um emaranhado de fatos: crimes não elucidados, malucos a solta, povo enganado, políticos confusos quanto ao seu verdadeiro papel e tantos outros fatos.

Um país no qual se manifesta contra a corrupção e em busca de políticas públicas efetivas para seu povo, também se registra destruição do patrimônio público e até particular.

Um país no qual a saúde pública é a doença das administrações corruptas; nada nem ninguém consegue minimizar as perdas das famílias que tem a vida de seus membros esvaídas num leito de hospital, por pura falta de vontade política.

Um país no qual uma família inteira é assassinada e a verdade não vem à tona. Outras vidas foram ceifadas brutalmente e os assassinos continuam desfrutando do convívio de seus parentes.

Um país no qual malucos a solta, bêbados ao volante, vitimam crianças e adultos, não prestam socorro e continuam no exercício de sua profissão como se fossem salvadores de vidas.

Um país no qual segurança e  insegurança são faces da mesma moeda do falido sistema carcerário e por que não dizer da ausência do Estado. 

Um país no qual seus mais de cinco mil e quinhentos municípios tiveram seu IDH melhorado, mas passa longe do esperado para um país desenvolvido.

Um país no qual as tecnologias de informação ainda estão restritas a 40% da população urbana e a somente 10% da população da zona rural. 

Um país que não respeita nem valoriza professor/a e por conseguinte ainda tem mais de 13 milhões de analfabetos.

QUE PAÍS É ESSE?  Pergunta-se há mais de quatro décadas.

Um amigo professor respondeu-me, enumerando os porquês:

1. É o país que cabe na territorialidade do município e se faz distante para não ver as mazelas que assolam o povo, como o desemprego, mesmo quando mais de 500 jovens são qualificados para o trabalho, num município como Bacabal; 

2. É o país das quase contínuas epidemias de hanseníase,  AIDS e  tuberculose que marcam dados expressivos e maculam pessoas;

3. É o país da confusão e inteira integração e entrega entre os poderes legislativo, executivo e judiciário;

4. É o país da negação dos direitos, mesmo que todos os direitos do cidadão estejam garantidos constitucionalmente.

_ QUE PAÍS É ESSE? Mesmo respondendo, perguntou-me o amigo professor.

Profa Liduina Tavares. Pedagoga, especialista em Planejamento educacional e em Fé e Política. Membro fundadora da Academia Bacabalense de Letras e Conselheira do CMAS

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

SÃO SEBASTIÃO, ROGAI!

No coração de um Brasil polarizado, num Estado de contradições políticas, no município em (re)construção localiza-se o povoado que vive o maior drama de sua história, desde a alforria de seu povo. No povoado São Sebastião dos Pretos, território quilombola certificado, onde a fé se entrelaça com a poeira da estrada, um pequeno aglomerado humano, conhecido mais pelas suas promessas sussurradas ao vento do que por seus marcos geográficos, viu sua serenidade estilhaçada pela ausência. Três pequenas vidas, três infantes da mesma família evaporaram no ar poluído pelas queimadas e pela devastação dos palmeirais, na tarde do dia 04 de janeiro de 2026.  Os pais, figuras outrora pilares de devoção, permaneciam agora em um estado de atordoamento quase sagrado, como se o trágico fosse uma miragem teimosa. A inércia deles, contudo, não se espalhou pela comunidade e a ausência notada das três crianças mobilizou os moradores que procuraram por toda a noite e ainda que  não as encontrassem se...

FEITA DE FASES.

 No contraste nítido do tijolo nu e a alta parede revestida de massa, pintada de tinta cuja nuance de cor é feita em laboratório à escolha, em catálogo, um brilho surge, superando a barreira arquitetônica que impede a visão total do reluzente astro  iluminado . Por segundos, a imagem é  confundida com a luz das lâmpadas de led recentemente colocadas nos postes da cidade, as quais muitas vezes não são vistas em sua totalidade por aparecerem por entre o cimento armado que ergue as casas ou entre as poucas árvores que insistem em contrariar o egoísmo dos que cortam árvore, matando a biodiversidade, sufocando a humanidade e que certificam a incivilização do homem.  Em seguida, o brilho revela-se cheio,  exibindo Ogum e o seu dragão – haverá quem, de pronto, condene o herege dessa descrição! – mais reais que antes, tomando toda a forma de tão reluzente imagem. Por minutos, os olhos buscam o brilho e se destraem com a beleza que agora claramente se mostra por completo...

CONSCIÊNCIA NEGRA

               Liduina Tavares* Quando eu era o negro  esquecido na senzala ao tronco acorrentado, o corpo chicoteado só a mim e aos meus irmãos essa dor incomodava. I Quando eu era o negro  na Casa Grande explorado escravizado e bullynado muitas vezes estuprado só a mim e aos meus irmãos a nossa dor incomodava. II Quando ainda criança  eu fui o negro sequestrado o Estado não interveio  a mim nenhum valor era dado e todo o meu sofrimento  só a mim e aos meus irmãos a indiferença à nossa dor incomodava. III Para o Quilombo dos Palmares  quando aos quinze anos voltei mostrei aos meus irmãos  todo o flagelo que passei soube de todo o sofrimento que os meus irmãos tinham passado. IV E, por isso, considerei mudar a essência da dor transformá-la em ação  não bastava sublimar  o rancor, a indignação  o ódio endurecia a alma e sangrava o coração.  V Eu mostrei aos meus irmãos  que o tronco e as c...