Pular para o conteúdo principal

O relógio eleitoral não é regido pelas leis eleitorais.

     A legislação eleitoral determina que a campanha eleitoral deve ser quarenta e cinco dias antes do pleito eleitoral. O que acontece antes desse período determinado pela lei é chamado de pré-campanha. 

A pré-campanha antes da mini reforma eleitoral acontecia entre o período correspondente à convenção partidária e o deferimento da candidatura pelo juízo eleitoral. 

Atualmente, a pré-campanha tem início após a eleição, digo, acontece por longos quatro anos, se intensificando no ano que antecede a eleição até às convenções, durante esse período vale tudo, tudo mesmo, embora o abuso de poder econômico possa ser observado como crime.

As pré-campanhas duram quatro anos de doação de cestas básicas, entrega de peixes, apoio a escolas, juninas, festa de santos e escolinhas de futebol, distribuição de frango e enxovais, show de prêmios, gincanas, etc, etc, etc.

Essa lógica é perversa, pois oferece a política do "pão e circo"! Não cria oportunidades de geração de emprego e renda, não oferta o concurso público, sustenta contratos precários sem isonomia salarial entre concursados e contratados por indicação e sem seguridade social, isto é, sem direitos à aposentadoria. 

A população que se vê a mercê dessas campanhas de doação dos políticos locais não tem os seus direitos respeitados, assegurados, garantidos. Não raras vezes ouve-se dizer – comprovadamente – que as consultas com especialistas são agendadas uma única vez no mês e não atende a todos que carecem de atendimento médico. 

Fraternidade (doação) e justiça social (direitos garantidos) andam junto. Não esqueça, senhor político.



Para informe:

Você sabia que o limite de gastos para candidaturas de prefeito(a), determinado pela justiça eleitoral para quarenta e cinco dias de campanhas no município de Bacabal é menos de trezentos mil reais? 

__________

Liduina Tavares - ex-vereadora 2009-2012.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

SÃO SEBASTIÃO, ROGAI!

No coração de um Brasil polarizado, num Estado de contradições políticas, no município em (re)construção localiza-se o povoado que vive o maior drama de sua história, desde a alforria de seu povo. No povoado São Sebastião dos Pretos, território quilombola certificado, onde a fé se entrelaça com a poeira da estrada, um pequeno aglomerado humano, conhecido mais pelas suas promessas sussurradas ao vento do que por seus marcos geográficos, viu sua serenidade estilhaçada pela ausência. Três pequenas vidas, três infantes da mesma família evaporaram no ar poluído pelas queimadas e pela devastação dos palmeirais, na tarde do dia 04 de janeiro de 2026.  Os pais, figuras outrora pilares de devoção, permaneciam agora em um estado de atordoamento quase sagrado, como se o trágico fosse uma miragem teimosa. A inércia deles, contudo, não se espalhou pela comunidade e a ausência notada das três crianças mobilizou os moradores que procuraram por toda a noite e ainda que  não as encontrassem se...

FEITA DE FASES.

 No contraste nítido do tijolo nu e a alta parede revestida de massa, pintada de tinta cuja nuance de cor é feita em laboratório à escolha, em catálogo, um brilho surge, superando a barreira arquitetônica que impede a visão total do reluzente astro  iluminado . Por segundos, a imagem é  confundida com a luz das lâmpadas de led recentemente colocadas nos postes da cidade, as quais muitas vezes não são vistas em sua totalidade por aparecerem por entre o cimento armado que ergue as casas ou entre as poucas árvores que insistem em contrariar o egoísmo dos que cortam árvore, matando a biodiversidade, sufocando a humanidade e que certificam a incivilização do homem.  Em seguida, o brilho revela-se cheio,  exibindo Ogum e o seu dragão – haverá quem, de pronto, condene o herege dessa descrição! – mais reais que antes, tomando toda a forma de tão reluzente imagem. Por minutos, os olhos buscam o brilho e se destraem com a beleza que agora claramente se mostra por completo...

CONSCIÊNCIA NEGRA

               Liduina Tavares* Quando eu era o negro  esquecido na senzala ao tronco acorrentado, o corpo chicoteado só a mim e aos meus irmãos essa dor incomodava. I Quando eu era o negro  na Casa Grande explorado escravizado e bullynado muitas vezes estuprado só a mim e aos meus irmãos a nossa dor incomodava. II Quando ainda criança  eu fui o negro sequestrado o Estado não interveio  a mim nenhum valor era dado e todo o meu sofrimento  só a mim e aos meus irmãos a indiferença à nossa dor incomodava. III Para o Quilombo dos Palmares  quando aos quinze anos voltei mostrei aos meus irmãos  todo o flagelo que passei soube de todo o sofrimento que os meus irmãos tinham passado. IV E, por isso, considerei mudar a essência da dor transformá-la em ação  não bastava sublimar  o rancor, a indignação  o ódio endurecia a alma e sangrava o coração.  V Eu mostrei aos meus irmãos  que o tronco e as c...