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A GREVE É O ÚLTIMO APELO

 Professoras e professores da educação básica pública do estado do Maranhão decidiram: é greve porque é grave! 

Paralisada desde o dia 27 de fevereiro, a classe sinalizou para o governo que a pauta de valorização prevista para o ano de 2023 já entrava no segundo mês sem qualquer atitude governamental para atendê-la e então viu que a forma legítima de pressão seria a paralização.

 Para desmobilizar a classe o governo investiu em propagandas cheias de inverdades, diz que os docentes do Maranhão tem o 3° melhor salário do país, chegando a dividir a opinião da sociedade quanto a quem diz a verdadeira realidade, se o governo ou os professores. 

 
   A partir daqui vamos esclarecer as dúvidas e as constatações poderão ser feitas consultando o portal da transparência, conversando e consultando o contracheque de professores, visitando as escolas, acompanhando a merenda escolar, pesquisando em bases de dados oficiais nas quais se pode encontrar a lista das piores escolas do país, entre elas, dez estão e são do Maranhão. 
AOS FATOS:
1 No Maranhão, não temos escolas dignas como propagandeou ex-governador, o seu vice e o secretário de educação. Temos, sim, escolas seletistas, patrocinadas por duas secretarias de estado: educação e segurança e mantidas pelos pais que pagam mensalidades, as Escolas Militares Tiradentes, e os IEMAS, estruturas totalmente diferentes das demais escolas públicas da rede estadual.

2 Há anos o estado do Maranhão não realiza concurso público, contudo, edita e adita contratos precários de trabalho para professores e a estes atribui-lhes disciplinas curriculares que não fazem parte de sua própria formação acadêmica.

3 Ainda há na rede pública de ensino do estado do Maranhão escolas sem carteiras suficientes para o número de alunos, 
bem como a estrutura física da maioria das escolas está deficitária, nos últimos anos –  o atual governador era vice – teto, forro e paredes de algumas escolas desabaram. Veja a figura ao lado que trás informações do município de Balsas.

4 No Maranhão, a remuneração de professores é composta de VENCIMENTO + GAM (Gratificação de Atividade Magistério), mas remuneração não é piso. Nenhum professor de 40 horas percebe mensalmente o PISO de R$ 4.420,55 estabelecido em lei, contudo, quando o governo soma a GAM ao vencimento, quem sabe o professor em final de carreira tenha esse valor no seu contracheque. 
   Como o governo não nos valoriza, vem negando os reajustes legais definidos e repassados aos estados pelo governo federal, as nossas perdas acumuladas chegam a quase 72%. Mesmo este ano em que o reajuste do PISO é de 14, 95 % o governo ofereceu 8% dividido em duas vezes, chegou a 10% durante a paralisação, mas o que faz mesmo é negar os nossos direitos desde mesmo quando era vice-governador. Veja a tabela abaixo e análise se o governo fala a verdade que ganhamos o melhor salário se não paga os reajuste a cada ano.

POR QUE OS PROFESSORES ESTÃO EM GREVE?
Porque o caso é grave! 

 Lutamos por valorização que engloba desde uma escola bem equipada, cuja estrutura física não coloca a vida dos que a frequentam em risco até mesmo salário digno, com a aplicação do piso que vem sendo negado desde sempre e as perdas são irreparáveis. 
     Quem sente na pele o que lhe falta no bolso não acusa e não mente, já quem, comprovadamente, sonega, mente e se defende com um arsenal midiático que dá dó a quem não conhece a realidade de um estado rico cujos filhos são empobrecidos pelos governos.

Professores na rua, Brandão a culpa é sua!
_______
Liduina Tavares - professora da educação básica do estado do Maranhão.







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