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AS CONFERÊNCIAS E A INDIFERENÇA DOS PODERES AOS RECLAMOS DA POPULAÇÃO



Em anos ímpares os municípios fazem um esforço gigantesco para realizarem as CONFERÊNCIAS MUNICIPAIS (saúde, educação, cultura,etc) e dão visibilidade ao evento na mídia impressa, falada e alugam bons espaços, fazem bonitas decorações... compõem mesa e dão fala aos mesmos negadores dos direitos, como se ali fossem os salvadores da pátria. 

MAS AS PROPOSTAS/METAS/ESTRATÉGIAS DAS CONFERÊNCIAS ANTERIORES (OU DA IMEDIATAMENTE ANTERIOR) NÃO SÃO IMPLEMENTADAS E/OU AVALIADAS  E TAMBÉM NÃO SERVEM PARA NORTEAR AS NOVAS PROPOSITURAS.

Bacabal está fechando o ciclo de Conferências e dias 02 e 03 de junho realizará a de Saúde. Chamamos a atenção para o descaso com que os poderes tratam as questões da saúde pública em nosso município:

1. Hospital Dra Laura Vasconcelos - demolido há quase dois anos e a construção encontra-se interrompida. Eu gostaria que a imprensa pesquisasse e divulgasse os fatos reais que levaram a empresa de um político furão e já conhecido pelos bacabalense a não dá continuidade a obra.

2. Hospital Materno-Infantil - atendendo urgência e emergência desde que o Laura foi demolido pelos arrojos do fanfarrão ex-secretário de estado da saúde. Tem bons profissionais, mas o atendimento é deficitário. A estrutura física e os equipamentos estão danificados (ou sucateados?), venda de lanches no interior das enfermarias, roupas de cama trazidas de casa pelos pacientes/acompanhantes, alegação de ambulâncias quebradas, mas estão inteiras para atendimentos privilegiados 

3. Centro de Marcação de Consultas - as agendas, dependendo da especialidade, só poderão ser feitas para o meses de outubro/15 a fevereiro/16. E ali a venda de senhas continua sendo uma prática comum e aceitável.

4. Unidades Básicas ou Postos de Saúde - feitos na gestão anterior numa parceria com o Banco do Brasil (que aliás não se cumpriu por parte do gestor anterior) e novos postos adequados em prédios residenciais alugados por preço de ouro na atual gestão, não oferecem o atendimento devido, pois faltam médicos e medicamentos. Que o digam aqueles que precisam da farmácia básica!

5. HÁ QUATRO VEZES MAIS MÉDICOS NO SETOR PRIVADO DO QUE NO SETOR PÚBLICO.

6. A UPA - tão decantada pela ex-secretária de saúde em audiência pública na Câmara de Vereadores e massificada por alguns edis ainda não foi construída; naquela audiência falou-se em mais de dois milhões de reais e recentemente falou-se que o senador havia disponibilizado mais alguns milhões. A pergunta que não quer calar: CADÊ O DINHEIRO QUE ESTAVA AQUI?

É bom que não esqueçamos que os princípios norteadores do SUS são a universalidade, a equidade e a integralidade. Esses princípios garantem a toda população (inclusive a estrangeiros que estejam de passagem pelo país) o acesso universal e irrestrito ao sistema de saúde, bem como busca diminuir as desigualdades e disparidades e garante atendimento integral aos usuários (da promoção e prevenção à resolução das questões de saúde). 

Listo apenas esses seis pontos para que façamos uma reflexão e levemos não só as metas, as estratégias e seu prazo de execução (que nunca se cumpre!) para a Conferência de Saúde, mas que se formule um documento para se protocolizar junto aos poderes constituídos, reclamando que tirem suas vendas e olhem as verdades expostas no sofrimento do povo que clama e não encontra audição nos vereadores, no prefeito, tão pouco no Ministério Público. 

Por que a cegueira tem assolado os poderes e causado tanta indiferença aos reclamos da população?   

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Profa Liduina Tavares - cidadã, pedagoga, especialista em planejamento educacional e em fé e política, ex-vereadora, membro efetivo da ABL, conselheira no Conselho de Assistência Social. 



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