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A POESIA PARA ALÉM DO DESPEJO


        Para a cultura brasileira um fato recente, apontou, na contramão do sistema de desvalorização da arte, o cantor e escritor brasileiro Chico Buarque como o vencedor do Prêmio Camões 2019, um dos maiores reconhecimento da literatura em língua portuguesa, tendo sido o vencedor da 31ª edição do prêmio. 
         Em Bacabal, recentemente, membros da Academia Bacabalense de Letras posaram para fotos na Câmara de Vereadores no momento em que o vereador Venâncio Costa fazia indicação ao prefeito para doação de um terreno para construção do prédio da Casa dos Artistas da Palavra. O terreno não só não foi doado como a Academia Bacabalense de Letras, por telefone, foi convidada a desocupar as dependências da Biblioteca Silva Neto, onde ocupava uma sala, sobe a alegação de que o prédio passará por reforma. Ao se perguntar se depois da reforma a Academia voltará a se instalar naquele prédio a interlocutora disse que não, pois não terá mais nenhuma sala disponível. A literatura resiste! 
  A casa literária Academia Bacabalense de Letras, fundada em 24 de março de 2001, possui um quadro de 40 cadeiras destinadas a membros efetivos e sucessores, além de um quadro adicional de 15 cadeiras para acadêmicos correspondentes.  Além de atender a pesquisa de alunos das escolas públicas e privadas, a ABL tem sido instrumento de estudo dos estudantes do curso de Letras, os quais analisam as obras dos membros da Academia.
        A ABL  não possui prédio próprio, então, desde a sua fundação, ocupou os seguintes espaços: Sala residencial dos  acadêmicos Pedrenrique, Casanova e Liduína Tavares;  sala comercial  do Jornal O Folha Central; Casa Residencial da Durvel Veículos; sala comercial da Associação Comercial e Biblioteca Municipal Silva Neto, onde ficou desde o inicio do governo José Alberto, até hoje, 22 de maio de 2019.  Pelo tempo de acolhida somos gratos.
         Sem uma solicitação oficial que para que deixássemos a sala ocupada, compreendemos a interlocução da diretora da biblioteca e lamentamos a atitude do prefeito municipal e os secretários titular e adjunto de Cultura de Bacabal ao DESPEJAR a Academia Bacabalense de Letras de um prédio público que por sua natureza é adequado para acolher a arte literária.
         A poesia que escapa da pena do poeta está a esmo, tomada de surpresa, porém viva. Se nos tiram o teto, temos o solo, o horizonte, a inspiração. E caminhando para o seu primeiro centenário de emancipação política Bacabal ainda sofre com o descaso com a cultura local. 
Despejam os livros e nós, literatos da ABL, despejamos o nosso amor pela poesia, pela cidade, pelos seus filhos.  E declaramos: a poesia é imortal!

A tormenta de hoje é inspiração de agora
Pois se nos tiram o teto, dão-nos a causa
A lágrima que molha o peito do poeta
Serve-lhe de alento insistente

Era um canto da casa que nos abrigava
Foi no canto da sala que se deitou cada livro
No peito entristecido que nascerá o poema
Que nos lembrará este dia

Não há decepção que o poeta não cante
E a dor que ele sente faz-se canção
Exilado em seu próprio ninho o poeta declara:
– Perde-se o abrigo, mas a poesia não se perde não.

–––––––
Liduína Tavares - membro fundadora da cadeira n° 11, patroneada por frei Solano Kün, na Academia Bacabalense de Letras.






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