Comida no Prato O lugar está situado entre bancas de confecção, é abafado por lona como teto, as paredes, não se sabe se da banca de roupas ou se próprias. Toalhas florais, pimenta ao molho, o farinheiro, o paliteiro o saleiro enfeitam as mesas que recebem diariamente os clientes. Os pratos variam de acordo com o dia, quinta-feira, por exemplo, galinha ao molho pardo, peito de frango frito, assado de panela de carne de porco e panelada. Os acompanhamentos são quase sempre os mesmos: arroz branco, arroz de cenoura, baião de dois, macarrão, salada de repolho com tomate ou de alface com tomate. Para temperar o segredo é guardado a sete chaves, sabe-se que é agradável ao olfato e principalmente ao paladar, muitos que por ali passam fazem uma boquinha. Pessoas de outros territórios passam por ali e não resistem ao cheiro de boa comida. O entusiasmo de dona Linda, também atrai freguês, seja por ligação telefônica, mensagem de WhatsApp ou no balcão há sempre a boa vontade ...
No coração de um Brasil polarizado, num Estado de contradições políticas, no município em (re)construção localiza-se o povoado que vive o maior drama de sua história, desde a alforria de seu povo. No povoado São Sebastião dos Pretos, território quilombola certificado, onde a fé se entrelaça com a poeira da estrada, um pequeno aglomerado humano, conhecido mais pelas suas promessas sussurradas ao vento do que por seus marcos geográficos, viu sua serenidade estilhaçada pela ausência. Três pequenas vidas, três infantes da mesma família evaporaram no ar poluído pelas queimadas e pela devastação dos palmeirais, na tarde do dia 04 de janeiro de 2026. Os pais, figuras outrora pilares de devoção, permaneciam agora em um estado de atordoamento quase sagrado, como se o trágico fosse uma miragem teimosa. A inércia deles, contudo, não se espalhou pela comunidade e a ausência notada das três crianças mobilizou os moradores que procuraram por toda a noite e ainda que não as encontrassem se...